giro *especial* - brat
carimba que é brat!!!
fiquei um tempo pensando se queria escrever uma edição especial do jornalzinho sobre o álbum do momento e acabei decidindo que sim. quero compartilhar minha opinião aqui nesse espaço seguro, porque tenho pensamentos dentro de mim e talvez eles não façam sentido juntos, mas são constantes e preciso por para fora. vou tentar montar essa colcha de retalhos que passa por vários vídeos, tuítes e reportagens que me atingiram acerca do fenômeno BRAT. afinal, não é sempre que podemos empregar o termo reset cultural de uma forma tão verdadeira como acho que podemos agora.
o reset cultural
o ponto pra mim é que esse é mais que um álbum com ótimas músicas. é também um movimento cultural com um impacto que a gente nem sempre vê na indústria. enquanto um consumidor de música pop cronicamente online, tenho pra mim que a última vez que vivemos algo parecido com a febre do rato brat, foi na era motomami da rosy. o que é algo bem curioso, levando em conta que as duas não são consideradas artistas mainstream. e acho que é aí que tá o cerne dessa história toda. foram dois momentos em que só se falava sobre isso no mundinho pop, dois momentos que uniram tribos. ainda que sejam álbuns que não tenham feito números astronômicos em termos de stream e vendas, eles venderam seu branding de uma forma muito impressionante e meio que consolidaram a artisticidade(?) de suas respectivas artistas, marcando uma determinada época e tendo potencial de serem lembrados como tal. e isso é muito maior do que quebrar grandes recordes no fim das contas. mais do que fazer música boa elas fizeram história, abriram caminhos e moldaram um momento, ainda que breve, mas com consequências duradouras. e focando especificamente no brat, queria levantar alguns pontos que na minha cabeça levaram essa doida da charli a ter finalmente seu grande momento.
a estética
ao lançar uma capa simples, básica, chamativa e, sobretudo, feia, charli direcionou todos holofotes para o seu álbum. não importa qual justificativa ela tenha usado pra essa capa (uma justificativa que foi sim plausível e inteligente), ela conseguiu criar mais que uma estética, criou uma marca, um meme e renomeou a cor verde limão para verde brat. impossível viver na internet e não ter sido impactado por publicações classificando qualquer elemento verde como um elemento brat. mais do que seu fandom, marcas entraram nessa onda, e assim uma bolha foi furada. todo mundo (que importa) sabia que charli xcx estava lançando seu novo álbum verde limão intitulado brat.
não satisfeita, ela lançou um deluxe com uma capa mais feia ainda, pronta pra gerar mais engajamento e muitos outros memes, ainda mais complexos e profundos. ela lançou moda, lançou tendência e inovou diante dos nosso olhos, sendo atual, ousada, e acima de tudo, pós-irônica. escrevendo uma frase gigante num fundo branco e falando essa aqui é a capa do meu álbum deluxe. quem gostou bate palma, quem não gostou paciência. básicas, não passem. ou passem bem longe.
a persona charli
em termos de relacionamento com o público, temos duas grandes vertentes hoje em dia que podem ser muito bem exemplificadas por dois grandes nomes - taylor e beyonce.
taylor swift conquista seu fandom com empatia e suposta acessibilidade. é muito fácil se relacionar com suas composições que tem sempre uma pegada ‘universalmente pessoal’. mas mais que isso, a loirinha aposta em uma relação mais próxima e íntima com seus fãs. na verdade já apostou e finge que mantém, apesar de hoje ser apenas uma marca, mas isso não vem tanto ao caso. ela é de alguma forma a cantora ‘amiga da vizinhança’, o homem aranha da música.
e temos a beyonce, que aposta nessa relação ‘inatingível’, separando sua vida pessoal da profissional, e se colocando como um ser, de certa forma, superior e poderoso, que as pessoas idolatram, se identificam, usam como referência, mas sabem que nunca terão acesso - homem de ferro?
e agora, temos charli, que nessa sua nova era trouxe uma ótima mistura desses dois métodos de posicionamento. ela é e sempre foi acessível - a garota festeira, gente como a gente - e expõe ainda mais isso em suas novas composições, demonstrando sem medo sua vulnerabilidade tanto profissional, quanto pessoal. mas além disso, ela também reforçou em torno de si mesma a ideia de ser vista como referência, supervalorizando essa persona de garota descolada que todos querem ser - e por consequência, idolatrar. im your favourite reference, baby. e deu certo!
o fandom
isso nos leva diretamente para uma das bases mais sólidas da carreira da charli. também vi outro tiktok recentemente analisando o que a carreira da charli, da carly rae, da tove lo e da lorde tem em comum além de serem todas brancas e a conclusão era basicamente que todas começaram com um grande hit que furou a bolha, navegaram pelo mainstream e consolidaram seus nomes no hall da fama. a partir daí, nunca mais repetiram o estrondoso sucesso inicial, mas conquistaram sua base fiel de fãs e isso foi o mais importante para as suas respectivas carreiras - além da música de qualidade, claro.
o ponto é que aqui, depois de muito caminhar, charli conseguiu furar a bolha mais uma vez - mesmo que sem um hit tão grande como ‘boom clap’ ou ‘i love it’, mas com o lançamento de um dos álbuns mais bem avaliados na história das críticas musicais (95 no metacritic!!!), uma estética memorável e músicas realmente boas. não tem como negar que ela tá sim na boca do povo, e é isso o que se precisa pra deixar sua marca e ser ouvida. com o apoio dos seus fieis fãs e muita direção ofensiva, a dona brat conseguiu pavimentar o caminho até esse grande momento que estava esperando por ela logo aqui na frente.
enfim, visionária?
charli sempre veio fazendo pc music, hyperpop, seja lá como queiram chamar. mas nunca com tanto reconhecimento como agora. e porque isso? porque o conjunto da obra e o tempo de caminhada são parte importante da construção desse processo. às vezes, leva tempo para ser ouvida e conquistar seu espaço, às vezes o público não tá preparado de primeira para tanta inovação, às vezes o artista está sim a frente do seu tempo.
podemos ver algo parecido com a sabrina carpenter, que está prestes a lançar seu 7º(?) álbum de estúdio ao mesmo tempo em que tá sendo apostada por muitos como a mais forte candidata a melhor nova artista dessa edição do grammy - na verdade nem é tão parecido mas quis falar aqui rapidamente sobre a nossa pitoca querida <3.
voltando a charli, ela é tão a it girl, it produtora, it compositora do momento que já tem até outras queridas querendo fazer uma cópia barata. uma coisa é servir de inspiração, como a era crash foi para mim em pussyballs. outra coisa é copiar na cara dura, fazer pior e tentar vender a estética vazia pela estética vazia, achar que é só descolorir o cabelo e você tá pronta para lacrar - amei o clipe com lil nas e cantarolo i luv it o tempo todo.
talvez soe como se eu estivesse me contradizendo em relação ao que disse na última newsletter especial - que os artistas não estão fazendo a mesma música em todo álbum, mas sim, se aperfeiçoando no seu próprio gênero. e eu ainda concordo e defendo essa opinião!!! mas o que eu quero trazer aqui é que em brat, a charli mais do que se aperfeiçoou no próprio gênero, ela definiu esse seu gênero como o momento da música atual. foi mais que uma evolução pessoal, foi também um marco musical universal. como disse, vem sendo uma longa jornada pra ela consolidar sua marca e sua música na indústria, e é muito legal ver que brat consagra isso com louvor. mas também vai além! para mim, brat é a definição do que vamos lembrar quando pensarmos com nostalgia da música dos anos 20. vi outro tiktok (sim, minha maior fonte de conhecimento!!!) que falava sobre como a música produzida atualmente soa muito mais como um resgate do que já fez sucesso em algum momento do passado, apostando muito mais em elementos de nostalgia do que ousando e criando o que possa vir a ser a nostalgia do futuro - perdão dua, é um título ótimo mas evoca justamente o contrário do que você entregou. enquanto brat dá esse passo precioso rumo ao incerto e acaba assim, acertando muito!!!
o drama com a lorde
para encerrar, uma fofoca bem servida porque ninguém é de ferro.
depois de ter sido confundida com a lorde em uma entrevista, a vida de charli nunca mais foi a mesma. as duas divas, com o mesmo cabelo, se tornaram amigas, iam nos shows uma da outra, elogiavam seus lançamentos e eram supostamente felizes. em determinado momento, após uma foto de charli, carly rae e lorde ser publicada, surgiu o rumor de que rolaria um feat no álbum pop 2 da charli, mas acabou não dando certo.
mesmo assim, vida seguiu, uma assistiu o show da outra do maior evento do brasil - primavera sound 2022, e tudo parecia bem. até que no último mês (maio de 2024) charli declarou ter sentido inveja no começo da carreira pelo sucesso de lorde. e também disse que teria uma música no álbum novo para outra cantora pop, que ela não revelaria quem, mas os fãs entenderiam. muito se falou sobre esse shade pra lorde, mas nossa diva solar logo fechou a boca do povo, elogiando nos stories o álbum da amiga e indo assistir o seu show em nova york.
não sei de que valeu essa treta toda, mas girl so confusing (feat. lorde) já é o melhor remix da história da humanidade e ainda nem foi anunciado!!!
ouçam brat e me contem suas favoritas!!! me: todas. até já amigas!!!







